
7 Boas Práticas em Governança Cooperativa
A governança corporativa em cooperativas de crédito, que neste artigo chamaremos apenas de “governança cooperativa”, é um aspecto determinante para garantir transparência, sustentabilidade e eficiência na gestão.
Porém, diferentemente de instituições financeiras tradicionais, as cooperativas precisam equilibrar interesses dos cooperados e o crescimento sustentável. Afinal, elas foram criadas para apoiar pessoas e empreendedores que se juntaram com o objetivo de crescer conjuntamente.
Estudos recentes de pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com dados do Banco Central, apontam que cerca de 43% das cooperativas de crédito brasileiras se utilizam de práticas de governança, o que contribui para melhorar o desempenho nas instituições pesquisadas.
Significa, portanto, que adotar ações que visam a transparência e a gestão eficaz são determinantes para o sucesso cooperativista. Por isso, elaboramos abaixo uma lista com 7 boas práticas que podem fortalecer a governança dessas instituições:
1. Gestão baseada em dados e indicadores de performance
A primeira das boas práticas em governança cooperativa deve ser o embasamento de todas as decisões tomadas considerando dados concretos e indicadores de desempenho. Isso elimina achismos e torna a administração muito mais profissional.
Para tanto, o uso de ferramentas de BI (Business Intelligence) pode oferecer relatórios detalhados sobre inadimplência, rentabilidade e engajamento dos cooperados. A análise de KPIs específicos permite ajustes estratégicos mais assertivos, reduzindo riscos financeiros.
2. Políticas de sucessão estruturadas
A gestão de cooperativas de crédito requer lideranças bem preparadas, com programas de capacitação para futuros gestores. Assim, estabelecer políticas claras de sucessão garantem continuidade administrativa, minimizam impactos de mudanças bruscas e evitam instabilidade interna.
Além de fornecerem aspecto motivacional para a carreira de seus colaboradores, elas também contribuem para a redução do turnover e dos gastos com contratação de pessoal; afinal, um processo seletivo para admissão de gerentes e gestores costuma ser mais dispendioso do que a promoção de colaboradores já efetivados. E isso tudo ajuda a fortalecer a governança em cooperativas de crédito.
3. Fortalecimento da cultura de compliance e gestão cooperativa
Outra boa prática em governança cooperativa diz respeito à adoção de políticas rigorosas de compliance para evitar conflitos de interesse e aumentar a confiabilidade da cooperativa. Elas são fundamentais, na verdade, pois são o instrumento que garante uma cultura organizacional que encoraje a transparência e a ética.
Como exemplo, podemos citar a realização de auditorias internas periódicas não apenas para assegurar a conformidade com regulamentações, mas também para identificar vulnerabilidades e aprimorar processos internos. Essa conformidade, quando levada a sério em todos os níveis da cooperativa, reduz riscos de sanções, melhora a reputação da instituição e contribui para um ambiente mais seguro e confiável para cooperados e stakeholders.
4. Participação ativa dos cooperados
Diferente de bancos tradicionais, as cooperativas pertencem aos seus cooperados, tornando essencial a participação ativa deles para a transparência e eficiência da governança.
Para tanto, é importante realizar consultas e assembleias frequentemente para garantir que as decisões estratégicas reflitam, de fato, os interesses coletivos. Além disso, a implementação de plataformas digitais para votações e enquetes facilita o acesso dos cooperados, ampliando a representatividade e tornando o processo decisório mais democrático.
Nesse aspecto, o uso da tecnologia, quando aliada a uma comunicação clara e acessível, estreita a confiança na gestão e incentiva um maior engajamento dos membros, promovendo um ambiente mais participativo e alinhado com os princípios cooperativistas.
5. Transparência de prestação de contas digitalizada
A divulgação de balanços e relatórios em plataformas acessíveis é outra das boas práticas para fortalecer a governança cooperativa e sua transparência. Isso permite que cooperados tenham acesso fácil às informações financeiras, fortalecendo sua confiança na gestão da instituição.
Além disso, órgãos reguladores, como o Banco Central, exigem cada vez mais transparência e governança eficiente, tornando essencial a digitalização desses documentos. Para tanto, ferramentas tecnológicas, como softwares de gestão financeira, podem automatizar esse processo, garantindo acessibilidade, precisão e segurança.
Dessa forma, a prestação de contas digitalizada não só atende às exigências regulatórias, mas também melhora a reputação da cooperativa, tornando-a mais atrativa para novos associados e investidores.
6. Implementação de critérios ESG
A governança cooperativa precisa estar alinhada com práticas de sustentabilidade porque ambas compartilham princípios fundamentais, como transparência, responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento social e econômico.
Portanto, como boas práticas em governança cooperativa podemos citar:
- Financiamentos sustentáveis: Criar diretrizes para incentivar projetos ambientalmente responsáveis contribui para a mitigação de riscos financeiros de longo prazo e atrai investidores alinhados com responsabilidade socioambiental.
- Educação financeira: Ensinar boas práticas de gestão financeira aos cooperados reduz a inadimplência e solidifica a operação da cooperativa, garantindo um crescimento sustentável.
- Redução de impactos ambientais: Medidas como digitalização de processos, redução de papel e impressões e uso eficiente de recursos como água e eletricidade minimizam custos e reforçam o compromisso da cooperativa com a sustentabilidade.
Com isso em ação, podemos concluir que a governança sustentável não é apenas uma tendência, mas uma necessidade para garantir competitividade e relevância no setor.
7. Capacitação contínua da liderança
A evolução do mercado exige uma gestão atualizada e inovadora, especialmente no setor cooperativista. Gerentes e líderes de equipes não podem abrir mão do conhecimento em governança cooperativa, sob o risco de influenciarem negativamente os demais colaboradores sobre o assunto.
Para evitar isso e garantir um constante aprimoramento em boas práticas em governança cooperativa, a Goose Educação oferece treinamentos especializados para dirigentes e conselheiros, abordando temas como compliance e integridade, planejamento estratégico e gestão de riscos.
Esses programas garantem maior eficiência na administração, promovem a adaptabilidade a novos cenários econômicos e asseguram que as cooperativas estejam preparadas para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades de crescimento sustentável.
Conclusão
As boas práticas em governança corporativa são importantes para o sucesso das cooperativas de crédito, garantindo transparência financeira e crescimento sustentável. Ao adotá-las, essas instituições podem melhorar sua eficiência e aumentar a confiança dos membros.
Mas é necessário lembrar que capacitação contínua da liderança e a incorporação de critérios ESG em cooperativas de crédito reforçam sua resiliência em um cenário econômico cada vez mais dinâmico. Com o apoio de soluções educacionais, como as oferecidas pela Goose Educação, as cooperativas podem aprimorar sua governança e se preparar melhor para os desafios do futuro, garantindo seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social.